No próximo sábado, 6 de abril, a Praça Memorial Vladimir Herzog recebe nova obra de Elifas Andreato: a réplica em alumínio do troféu “Prêmio Vladimir Herzog” – peça criada pelo artista em 1978 e que, desde então, é entregue anualmente aos jornalistas, repórteres fotográficos e artistas do traço vencedores do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. O troféu significa o reconhecimento da sociedade brasileira aos profissionais da imprensa que, por meio de seu trabalho cotidiano, colaboram com a promoção da Democracia, da Liberdade e dos Direitos Humanos.
A peça foi produzida com recursos de emenda parlamentar ao orçamento da Prefeitura apresentada pela vereadora Soninha Francine e será instalada na Praça no próximo sábado, 6 de abril, como forma de marcar o Dia do Jornalista, comemorado no Brasil no 7 de abril.
De acordo com o projeto original, homologado pela Mesa Diretora da CMSP em 16 de outubro de 2012, a Praça ainda receberá uma placa com os nomes dos 1004 jornalistas signatários do Manifesto “Em Nome da Verdade”, publicado em janeiro de 1976 como forma de denunciar as prisões de colegas da imprensa e o assassinato de Vlado. Abrigará ainda placas com registros de todos os jornalistas premiados com o troféu Herzog desde a sua primeira edição, em 1979.
O jornalista Sergio Gomes, diretor da OBORÉ, participou ativamente das articulações para a mudança do nome da praça e para a implementação de todos os itens que constam do projeto original. “O Vlado queria um país justo e democrático. Nós também. Agora, precisamos cuidar com muito carinho desse espaço que conquistamos pois ele guarda nossas melhores lutas e nossos melhores sonhos”, afirmou.
Para o artista plástico Elifas Andreato, a inauguração da peça no próximo sábado é um ato de resistência. "É um evento que tem em si um propósito que interessa a todos os brasileiros e, sobretudo, aos jornalistas deste país. Estamos vivendo um tempo em que o presidente da república chama a população a comemorar a ditadura militar que matou o Vladimir Herzog. É hora de dizer não! Não se comemora o golpe, a tortura, o assassinato", ressalta.
Sobre a Praça Memorial Vladimir Herzog
Idealizada pelo ex-vereador e ex-presidente da Comissão Municipal da Verdade, Ítalo Cardoso, a Praça Memorial Vladimir Herzog foi inaugurada em 25 de outubro de 2013, 38 anos após o assassinato de Vlado pelas forças do Estado. Ao longo dos anos, a proposta foi abraçada pelos sucessivos presidentes da Casa - vereadores José Police Neto, José Américo, Antônio Donato e Milton Leite, e contou com igual apoio dos vereadores Gilberto Natalini, Eliseu Gabriel, Juliana Cardoso e Soninha Francine.
A realização do projeto da Praça é também fruto do esforço coletivo de entidades dentre as quais Instituto Vladimir Herzog, OBORÉ Projetos Especiais, Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, além das instituições que integram a Comissão do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos: Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo; Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo; Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; Ordem dos Advogados do Brasil – Secção São Paulo; Federação Nacional dos Jornalistas; Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo; Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo; Conectas Direitos Humanos, Coletivo Periferia em Movimento, Centro de Informação das Nações Unidas no Brasil; Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação – Intercom e Instituto Vladimir Herzog.
O espaço já conta com duas outras obras de Elifas Andreato. Uma delas é o mosaico criado pelas crianças do Projeto Âncora, que reproduz a obra "25 de outubro" do autor - referência ao quadro "Guernica" de Pablo Picasso e ilustra a cadeira do dragão, método de tortura aplicado pela ditadura militar no Brasil.