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  Marcos Buckeridge fala sobre aumento de temperatura e a produção brasileira de alimentos em 2040
Texto: João Paulo Brito/ Foto: Nivaldo Silva
  11/06/2013



O penúltimo encontro do 7º Curso Descobrir a Amazônia – Descobrir-se Repórter, do Projeto Repórter do Futuro, foi com o biologista vegetal Marcos Buckeridge, professor do Instituto de Biocências da Universidade de São Paulo (IB/USP), coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol e pesquisador indicado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia para o IPCC (sigla em inglês para Painel Internacional de Mudanças Climáticas).

Palestra, conferência e coletiva de imprensa para os 25 estudantes universitários de jornalismo e outras áreas do conhecimento que participam do módulo aconteceram, neste sábado (8), no auditório do IEA/USP - Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo e foram transmitidos ao vivo pela internet.

Clique aqui para a apresentação de slides de Marcos Buckeridge

O biologista falou sobre os impactos das mudanças climáticas globais – tema já tratado na primeira conferência do curso pelo físico Paulo Artaxo, que também integra o IPCC. Buckeridge focou, porém, a influência deste fenômeno sobre a agricultura, na biodiversidade e nos mares.

“Em vários lugares do mundo a temperatura está aumentando e isso está provocando efeitos extremos. Então, mesmo que todas as previsões que estamos fazendo tenham outra explicação, o que importa é o impacto”, disse o biologista.

Para ele, é papel dos governantes se apropriar das previsões elaboradas pela comunidade científica e tomar decisões a partir de agora para evitar ou reduzir futuras catástrofes naturais.

Mas nem tudo pode ser previsto pelos cientistas. Como exemplo, Buckeridge citou que a avaliação do impacto das mudanças climáticas sobre os mares das Américas do Sul e Central é impraticável pela ausência de fornecimento e integração de dados entre os países. “Como é que eu vou avaliar o efeito de uma coisa se eu não sei nem o que ela é? Como vou saber se aquele ecossistema está degradado ou não? Essa falta de conhecimento sobre o mar é algo extremamente crucial.”

E o biologista ressalta: “os possíveis impactos sobre os mares podem ter efeito não apenas sobre a Amazônia, mas sobre todo o planeta.”

Mas e a floresta amazônica sofrerá os efeitos das mudanças climáticas? Quanto a isso o  biologista afirma não ter dúvidas, porém a Amazônia, devido a seu alto nível de biodiversidade, funciona como uma espécie de escudo contra a perda da vida. “A grande força que nós temos é essa: a alta biodiversidade e a capacidade de sequestro de carbono. Em toda a Terra, a América do Sul é campeã em fotossíntese”. E a fotossíntese, vale lembrar, é a principal responsável pela existência de vida no planeta. “Nós vivemos por causa dessa máquina, não se enganem”.

Agricultura

Segundo as previsões, em 2040 o planeta terá cerca de 9 bilhões de habitantes. Isso obrigará o mundo a aumentar sua produção de alimentos em 70% para suprir o aumento populacional e manter o equilíbrio social na distribuição de alimentos.

Segundo Buckeridge, o Brasil atualmente é o único país que possui área agricultável suficiente e estabilidade política que permitem elevar seu nível de produção agrícola a este ponto.

“O próximo da lista é a África, mas ela ainda tem uma séria de problemas políticos que neste momento a impedem de ter este papel”, afirma o biologista. “Mas a África irá entrar no jogo. Existe toda uma estratégia para ajudá-la, inclusive a Embrapa já está lá fazendo estudos, porque sem a ajuda da África o Brasil não vai conseguir.”

O biologista afirma ainda que apenas usando os OGMs (Organismos Geneticamente Modificados) o Brasil conseguirá ter o aumento de produtividade necessário para este futuro de alta demanda por alimentos. “Em termos de milho, por exemplo, a planta de milho geneticamente modificada contra pragas pode produzir até 30% a mais do que a não geneticamente modificada. Isso conta drasticamente. Teremos que entrar nesta era como os americanos fizeram, inclusive com muito sucesso, e como os argentinos também fazem em alguns casos.”

Para Buckerigde, apesar de o tema ser polêmico o uso dos OGMs ainda pode beneficiar a Amazônia. “A gente que começar a mudar nossa ideia sobre os transgênicos se a gente tiver pensando até mesmo em meio ambiente. Não existe nenhuma evidência cientificamente sólida de que OGMs promovem qualquer efeito na saúde, como alergia ou coisa assim.”


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Confira a programação completa do curso.

Sobre o curso

O 7º Curso Descobrir a Amazônia – Descobrir-se Repórter, módulo do Projeto Repórter do Futuro, é organizado pela OBORÉ Projetos Especiais em Comunicações e Artes, IEA/USP – Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo e ABRAJI – Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo.

Conta com o apoio/patrocínio do CCOMSEx – Centro de Comunicação Social do Exército, Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, SINPRO/SP – Sindicato dos Professores de São Paulo, NH Photos/Nivaldo Silva, EBC/TV Brasil, Cátedra UNESCO de Comunicação, Hospital Premier/MAIS – Modelo de Atenção Integral à Saúde, INTERCOM – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, IPFD – Instituto de Pesquisa, Formação e Difusão em Políticas Públicas e Sociais, Casa da Cultura Digital, Matilha Cultural, KBR TEC Soluções Online e da Coordenação dos principais Cursos de Jornalismo de São Paulo: ECA/USP – Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing, Faculdade Cásper Líbero, PUCSP – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Universidade Metodista de São Paulo e Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Também emprestam seu prestígio a esta iniciativa: revistas Brasil Atual, Caros Amigos, Fórum, Imprensa, Le Monde Diplomatique Brasil, Piauí, Samuel e o blog “O Xis da Questão – Mídia, Jornalismo e Atualidade”, do Prof. Chaparro.


Equipe de Coordenação:
Ana Luisa Zaniboni Gomes, André Deak, Ausônia Donato, Cristina Cavalcanti, Germano Assad, Guilherme Alpendre, João Paulo Brito, João Paulo Charleaux, Manuel Carlos Chaparro, Milton Bellintani, Nivaldo Silva, Pedro Ortiz, Sergio Gomes.

Coordenação Pedagógica:
Pedro Ortiz

Assistência à Coordenação Pedagógica:
Camila Boehm, Camila Moura, Danillo Oliveira, Lais Mendonça, Luana Copini

Secretaria Executiva:
Cristina Cavalcanti

Equipe de Apoio:
Aline Rodrigues, Gabriela Rodrigues, Luciano Bitencourt

Observadores EBC/TV Brasil:

Aline Moraes da Silva, João Pedro Gomes, Pedro Fernandes da Silva Neto

 
 
 
   
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