Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2022 Pesquisa no site
 
A OBORÉ
  Abertura
  Histórico
  Missão
  Frentes de Trabalho
  Parceiros
  Prêmios
  Fale Conosco
  Galeria de Fotos
Núcleo de Rádio
Núcleo de Cursos
Núcleo de Gestão da Informação
Notícias
Atividades Especiais
  Sessão Averroes reflete sobre relações familiares e o resgate das origens humanas
Texto e Fotos: João Paulo Brito
  29/05/2013


“Conversando com mamãe”, filme argentino de Santiago Carlos Oves, exibido na Cinemateca, nesta terça (28), na SESSÃO AVERROES, foi o ponto de partida para a reflexão sobre as relações familiares e o processo de resgate da dimensão de humanidade.

Como convidados, compuseram a mesa o jornalista Milton Bellintani, que atua como professor de cultura latino-americana do curso de especialização em jornalismo cultural da PUC-SP, além de ocupar a diretoria executiva da Escola do Parlamento da Câmara Municipal e coordenar o módulo “Descobrir São Paulo – Descobrir-se Repórter”, do Projeto Repórter do Futuro, e o psiquiatra e psicoterapeuta Kleber Lincohn Gomes, professor titular de psiquiatria da Faculdade de Medicina de Itajubá, conselheiro consultivo do Hospital Premier/Grupo MAIS e membro da equipe de curadoria da SESSÃO AVERROES – Cinema e Reflexão.

O longa conta a história de Jaime (Eduardo Blanco), que, ao ficar desempregado e já não conseguir manter o alto padrão de vida que costumava oferecer a sua esposa e filhos, planeja vender seu apartamento, onde mora sua mãe (China Zorrila). A tarefa de convencer a teimosa e astuta senhora a sair da moradia, porém, acaba por se tornar uma caminhada nostálgica, que os faz reviver das mais dolorosas às mais saborosas lembranças, obrigando o filho a um inevitável reencontro com suas origens – que se choca diretamente com o homem “de aparências” que se tornara.

Na visão do psiquiatra Kleber Lincohn Gomes, a relação da “mamãe” com seu filho é absolutamente terapêutica. “A história mostra que só é possível a gente se conhecer, se entender e se encontrar a partir do encontro com o outro. É esse um dos princípios da psicanálise e um dos princípios do filme.”

Para Milton Bellintani, trata-se de uma história “aparentemente simples que navega em um limite muito perigoso da sensibilidade e a pieguice” e que lida com naturalidade com um tema complexo. Para ele, o filme também é uma metáfora do reencontro da velha Argentina pré-crise, que se julgava invencível, com as suas origens, passando por um momento em que o país teve que se confrontar com a verdade de ser uma nação latino-americana periférica e dependente.

No entender do jornalista, a crise levou os argentinos a fazerem o que o personagem do Eduardo Blanco fez que foi achar sua origem e se reconciliar. “Ele [o personagem] vivia o sonho da classe média que é a conquista de vitórias. Não é casual que o resgate de humanidade do personagem passe pelo contato com aquilo que ele tinha optado por não ser: pobre”.

Da plateia de 70 pessoas, a psicóloga Lenira Silveira apontou que a história do filme também reflete o percurso de reencontro da “mamãe” como mulher. No longa, a personagem de China Zorrila, que primeiro viu-se traída pelo seu marido e depois tornou-se viúva, passa vinte anos na expectativa que seu filho retorne para casa até que um dia Gregório (Ulises Dumont), um aposentado de 69 anos, aparece em sua porta e ambos iniciam um namoro.

“No momento em que a mamãe abre a porta para o Gregório ela titubeia, e acho que isso representa o medo dela de dar esse passo, de deixar de ser a mãe superprotetora, quebrar essa barreira e voltar a ousar ser mulher.”

Leia também:

Asilamento e políticas públicas para os idosos foram os temas da Sessão Averroes de abril

A jornalista Ana Claudia Nagao, editora da Gazeta de Santo Amaro, vem acompanhando há alguns meses sua mãe às Sessões Averroes. Para ela, as sessões ajudam, principalmente, a dialogar, já que, no seu entendimento, há muitas atividades promovidas que não geram espaço para conversas, reflexões e perguntas.

“As vezes queremos mudar o que está ao nosso redor mas muitas vezes temos também que mudar o foco de como a gente enxerga as coisas. Estas discussões abrem um panorama que o público até então não enxerga”, disse.

Sobre a Sessão Averroes

Atividade permanente da Cinemateca desde 2009, a SESSÃO AVERROES é fruto da parceria entre Cinemateca, Hospital Premier e OBORÉ.

As sessões acontecem na última terça-feira do mês, às 19h. A exibição é precedida de visita monitorada (17h) por toda a Cinemateca, incluindo a área técnica de restauro, e seguida de mesa de reflexão com convidados das mais diversas áreas do conhecimento.

A atividade propõe-se a refletir, examinar e debater a condição humana, a vida e sua terminalidade.

Esta SESSÃO conta com o apoio da Faculdade de Medicina de Itajubá, do Instituto Paliar e da Academia Nacional de Cuidados Paliativos.

 
 
 
   
  » Indique essa página a um amigo
 
 
 
Avenida Paulista, 2300 | Andar Pilotis | Edifício São Luis Gonzaga | 01310-300
São Paulo | SP | Brasil | 55 11 2847.4567 | (11) 99320.0068 |
obore@obore.com

Desenvolvimento

KBR Tec - Soluções Online