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  Abraji comemorou 10 anos com palestra de Rosental Alves e encontro do 1000 em 1, no dia 10
Texto: Giulia Afiune Fotos: João Paulo Brito
  11/12/2012

Estudantes e jornalistas se reuniram na comemoração dos 10 anos da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, a Abraji, às 9h30 de segunda-feira (10), no Auditório Freitas Nobre da ECA-USP. O encontro teve três momentos: a retrospectiva da história da Abraji com falas do atual presidente e de seus antecessores, a palestra de Rosental Calmon Alves, do Knight Center for Journalism in the Americas e a Roda de Conversa com estudantes do Projeto 1000 em 1.

Desde os 21 anos, Rosental Calmon Alves concilia a prática jornalística e a carreira acadêmica. Foi repórter do Jornal do Brasil, onde criou, em 1991, o primeiro serviço de notícias em tempo real por computador. Em 1997, criou um dos primeiros cursos de Jornalismo on-line dos EUA na Universidade do Texas, na qual hoje é professor. Por meio do Knight Center for Journalism in the Americas, apoiou e patrocinou os primeiros encontros de jornalistas que delinearam a criação da Abraji. Confira aqui sua biografia completa.

Em entrevista, Rosental falou sobre o aprendizado de jornalismo on-line no Brasil. “É preciso implodir as grades curriculares dos cursos atuais, porque elas não levam em conta que jornalismo se aprende fazendo”, criticou. Em suas aulas, ele busca ensinar duas tendências de Jornalismo atual possibilitadas pelas novas tecnologias. “O Jornalismo móvel, ou seja, como você usar o telefone celular e outros aparelhos móveis para inventar um novo tipo de narrativa jornalística e o jornalismo empreendedor”.

Para Rosental, a segunda tendência é essencial para os novos jornalistas entrarem no mercado de trabalho restrito e competitivo. “Nos EUA, onde os jornais estão desmoronando, e o seu modelo de negócio sendo destruído lentamente, ficou importante levar para o estudante a inspiração de que ele pode inventar o emprego dele, porque o mercado não vai dar. O que nós fazemos é ensinar essa parte de negócios, de criação de start-up companies.” O professor explica que esse é um diferencial no cenário atual. “Se eu tivesse que contratar alguém hoje, a primeira coisa que eu faria seria ver o que a pessoa  fez. Não o memo, mas um demo, uma demonstração do seu trabalho. Se a pessoa lançou um blog, se tentou abrir um negócio jornalístico...”.  


Da esquerda para a direita, o atual presidente da Abraji, Marcelo Moreira, e os ex-presidentes Marcelo Beraba, Angelina Nunes e Fernando Rodrigues.

10 anos de Abraji

No encontro, o atual presidente da Abraji e seus antecessores lembraram como a entidade foi criada, em 2002, e quais foram as principais conquistas ao longo dos últimos 10 anos. “A Abraji nasceu de um momento traumático, o assassinato do jornalista Tim Lopes, depois de ser barbaramente torturado em uma favela carioca. Tim defendia o jornalismo como uma causa ideológica, ele usava sua profissão para mostrar para a sociedade que as desigualdades deveriam ser combatidas”, conta Marcelo Moreira, atual presidente da Associação e editor-chefe do RJTV segunda-edição, da Rede Globo.

Segundo ele, naquele momento “um grupo de sonhadores encontrou força e inspiração para discutir o que poderia ser feito para que a morte de Tim Lopes não fosse em vão.” A partir daí, uma série de seminários apoiados pelo Knight Center passou a reunir repórteres de todo o Brasil para discutir os rumos que o Jornalismo investigativo estava tomando.

Fernando Rodrigues, ex-presidente da Abraji e colunista da Folha de S. Paulo, lembrou que a partir de uma lista de vários e-mails “revolucionária para época” que os debates entre os participantes dos seminários puderam continuar. “As listas eram cheias de discussões, brigas, mas muito produtivas. Os temas para os seminários seguintes saíam delas”, comentou Rosental.

Desde o começo, as parcerias com outras entidades fizeram parte da essência da Abraji, como contou Marcelo Beraba, editor da sucursal carioca do Estadão e também ex-presidente. “O objetivo não era concorrer ou ocupar o espaço de representação da classe jornalistas, mas firmar uma parceria com Universidades, associações de classe, sindicatos, com a FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas), a ANJ (Associação Nacional dos Jornais) entre outros”.

ECA-USP, OBORÉ e Folha de S. Paulo foram aliadas que viabilizaram a existência da Abraji em seus primeiros anos de vida, abrigando a sede da instituição. “A OBORÉ foi importantíssima para a Abraji, não só por ter abrigado a sua sede e pela generosidade de oferecer a possibilidade de a Abraji participar do Repórter do Futuro, mas pela força e pelas críticas que o Sergio Gomes deu.” 

Aproximação entre estudantes e profissionais foi uma das maiores conquistas da Abraji nos últimos dez anos. Na foto, estudantes do Projeto 1000 em 1 presentes no encontro na ECA-USP. 

Conquistas

A Abraji integra o Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, e, ao lado de 24 entidades, encabeçou a campanha para a criação da Lei de Acesso às Informações Públicas, que entrou em vigor em maio de 2012. Essa era uma das missões da Abraji presente no Artigo 2º de seu Estatuto Social. “Temos muita honra e orgulho de ter ajudado a criar essa ferramenta insubstituível para o Jornalismo e para os cidadãos”, reforça Fernando Rodrigues. “Depois desse trabalho de 10 anos, a implantação real dessa lei depende da pressão da sociedade e da cobrança dos jornalistas”

Para Rosental, um dos méritos da Abraji foi inaugurar um espaço para debater a segurança do jornalista investigativo. Em sua palestra, ele fez uma homenagem aos 12 repórteres que comprovadamente foram assassinados no exercício de sua profissão desde 2002. “De dentro das nossas redações com ar condicionado, nós do Rio, São Paulo, e talvez Brasília, Porto Alegre, Belo Horizonte não damos o merecido valor aos verdadeiros heróis do Jornalismo brasileiro, pessoas que sem condições, sem apoio empresarial, sem nada, arriscam suas vidas diariamente nos rincões do Brasil. Este é um dos países mais perigosos do mundo para o exercício do jornalismo”, criticou.

Em 2006, a Abraji promoveu um treinamento de orientações básicas de segurança para jornalistas com militares da reserva. “Hoje há jornalistas capacitados para dar esse treinamento. Que eles possam ampliar esse conhecimento para que outros saiam para a rua e voltem com uma boa matéria, mas voltem vivos”, ressaltou Marcelo Moreira, atual presidente da Abraji.

Outro fruto que a Abraji rendeu nos últimos anos foi a aproximação entre profissionais e estudantes, que acontece principalmente nos cursos de RAC (Reportagem com Auxílio de Computador) que a entidade oferece, nos Congressos Internacionais de Jornalismo Investigativo e no Projeto Repórter do Futuro. Na comemoração de seus 10 anos, Abraji e OBORÉ deram início ao Projeto 1000 em 1, cujo objetivo é justamente essa integração . “A gente compartilha conhecimento e experiências, e essa troca tem modificado uma cultura que existia dentro das redações de você se trancar e não dividir as suas fontes, esconder o seu caderninho de telefones, como se fosse um iluminado e que só você sabe daquele assunto”, alfinetou Angelina Nunes, editora assistente do jornal O Globo e também ex-presidente da Associação. “Em uma troca de e-mails entre a diretoria, o [José Roberto] Toledo, do Estadão, disse que a Abraji conseguiu reunir uma comunidade de jornalistas e estudantes e essa comunidade é a alma da Abraji.”

Veja a
apresentação em que Rosental Calmon Alves recupera a história da Abraji

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Em 2013, entidade realizará um dos maiores encontros de jornalismo do mundo (página 2 - edição 872 do Boletim do Jornalistas&Cia)

Repercussão: 

Ameaças a André Caramante: Diretor do Estadão conta que Folha tem motivos para ficar em silêncio, Portal Comunique-se

Profissionais de comunicação resistem a fazer cursos de segurança pessoal, Portal Comunique-se

Abraji 10 anos: entidade discute definição de “jornalismo investigativo”, Portal Comunique-se

Seminário da Abraji lembra casos de jornalistas ameaçados de morte, BOL Notícias

Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo comemora 10 anos, Jornal Nacional, Rede Globo

Evento da Abraji discute jornalismo investigativo em auditório da USP, Folha de S. Paulo

Seminário em São Paulo celebra 10 anos da Abraji, O Estado de S. Paulo

 
 
 
   
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