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  Conferência sobre Saúde destaca universalização do sistema e critica subfinanciamento
Texto: Milton Bellintani
  02/03/2012

Em conferência de imprensa aos alunos do módulo Descobrir São Paulo – Descobrir-se Repórter, o médico Gonzalo Vecina Neto – professor concursado da Faculdade de Saúde Pública da USP e superintendente corporativo do Hospital Sírio-Libanês – afirmou que o subfinanciamento do sistema pelo poder público é um dos entraves à melhoria da eficiência da atenção à saúde da população. “O Brasil adotou, no início dos anos 1990, um modelo que tem como pilares a universalização dos serviços de saúde, a integralidade do atendimento e igualdade de tratamento a todos”, disse Vecina. “Mas é preciso dizer que ainda falta muito para esse modelo ser considerado eficiente.”

Secretário Municipal de Saúde na administração da prefeita Marta Suplicy (2001 a 2004) e ex-presidente da ANVISA-Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Vecina apresentou um breve histórico da criação do modelo brasileiro e o comparou ao existente em outros países. “A criação do Sistema Único de Saúde (SUS) foi uma medida ‘civilizatória’. Antes dele, apenas eram beneficiados pelo sistema público os contribuintes da previdência social – os trabalhadores contratados pela CLT ou por meio de consurso público, aposentados e pensionistas. Quem não tinha carteira de trabalho assinada, era considerado ‘indigente’ e recebia o atendimento possível. Com o SUS, passou a vigorar o conceito de que a saúde é um direito de todos e que ele deve ser assegurado pelo Estado.”

De acordo com o médico, o poder público não tem investido os recursos necessários para garantir o bom funcionamento do sistema. “Além disso, a mudança do perfil da população contribuiu para a sua saturação. Hoje, 85% dos brasileiros vivem nas cidades. No Estado de São Paulo, são 94%. Na capital, 100%. A sociedade deve pressionar para que a saúde seja efetivamente uma prioridade. Afinal, pesquisas recentes confirmam que a preocupação com a cobertura de saúde é a número 1 do brasileiro.”

Participações enriquecem o debate

Dois vereadores relacionados ao tema da aula conferência participaram da atividade: Jamil Murad (PC do B) e Carlos Neder (PT). Ambos são médicos de formação e possuem larga experiência no atendimento à população. Murad participou da implantação do SUS e foi diretor do Sindicato dos Médicos de São Paulo. Autor de leis municipais de regulação dos serviços de saúde, entre as quais a de número 052/2002, que garante o atendimento de vítimas de violência pela rede municipal de saúde, Neder foi secretário Municipal de Saúde de 1990 a 1992, na administração da prefeita Luiza Erundina.

Jamil Murad afirmou que o SUS trouxe dignidade ao atendimento da população e vem assegurando aos setores de baixa renda o acesso à saúde. “Há muita coisa para ser melhorada, não resta dúvida, mas vocês como jovens repórteres devem desenvolver um espírito crítico em relação ao noticiário catastrofista, que apenas destaca os problemas e faz crer que o SUS não serve para nada. Por trás desse discurso está o interesse de grupos privados que gostariam muito de assumir a oferta de serviços de saúde.”

Neder, por sua vez, destacou que as mudanças políticas por que a cidade São Paulo passou nos últimos 21 anos vêm dificultando a melhoria da eficiência do atendimento de saúde. O período coincide com a criação do SUS. “Desde então tivemos seis diferentes prefeitos, com visões distintas sobre como administrar a saúde. Isso ocasionou a descontinuidade de projetos e a mudança de prioridades. Por isso, cabe enfatizar que ao escolher o próximo prefeito a população também definirá que modelo de saúde teremos na cidade nos próximos anos.”

O jornalista Aureliano Biancarelli, autor do livro Cirurgia em Campo Aberto e repórter com grande experiência na cobertura de temas ligados à saúde, atuou como co-orientador da aula. De acordo com ele, a cidade de São Paulo pode ser entendida como um corpo e suas ruas avenidas como as artérias pelas quais flui o sangue que mantêm o coração da metrópole funcionando. “Se entendermos dessa forma, fica mais fácil perceber, por exemplo, as consequências negativas do trânsito para a saúde de São Paulo e, consequentemente, de todos os que vivemos nela.”
 
 
 
   
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